quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Jaques Derrida: O Papel-Máquina

DERRIDA, Jaques. Papel Máquina. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 2004.



Breve resenha que fiz nas minhas pesquisas,

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(...) nada é mais “realista” do que uma “desconstrução”. Ela é (o) que acontece (arrivé)

Jaques Derrida



A desconstrução começa no material e no trabalho lingüístico, seu horizonte, porém, é amplo, ilimitado através da política, estética, técnica, etc. Derrida considera a importância dos suportes para as escrituras: a Papel-Máquina trata das máquinas e dos papéis como materialidades próprias da significação (ou da escritura) onde construções e desconstruções são possíveis. Tanto a folha quanto a mídia e os inúmeros suportes materiais possíveis recebem a inscrição de uma articulação textual que é feita pelo uso da máquina: as "máquinas de edição de texto", quais sejam as inúmeras tecnologias de produção simbólica:

"(...) matéria, a folha apropriada a servir de suporte ou de mídia para a escrita de máquina de escrever."

O suporte é importante na medida em que não se define enquanto tábula rasa, mas é um agente que condiciona e interage com o ato de significação. O que é importante para o entendimento da escritura na medida em que a definição precisa de modelos simbólicos, discursivos ou performativos, possui uma relação intrínseca com o suporte; relação que não é, contudo, determinística.

Cabe uma distinção importante entre a matéria e a materialidade dos elementos formais de linguagem. O livro enquanto forma de escritura é uma materialidade que não está restrita ao suporte: trata-se de uma materialidade virtual, qual seja, a formalidade dos elementos de escritura. Esta, porém, não deixa de se reproduzir no suporte e também regula a sua economia. A partir desta distinção, está autorizada a independência no uso e organização dos suportes por múltiplas formulações de escritura.

A questão do livro não se confunde, enfim, com a dos suportes (...) figuras do livro (...) livros sustentados pelos mais diferentes suportes - não apenas os suportes clássicos, mas a quase-imaterialidade das operações eletrônicas, telemáticas, dos "suportes dinâmicos".

pense nisso...