terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sobre a materialidade enquanto categoria múltipla


Segue uma reflexão acerca do texto:


DERRIDA, Jaques. Papel Máquina. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 2004.


A questão das formas de escritura é a do “fechamento”, da totalidade, a formalização do ato de significar em núcleos, itens, categorias, unidades; “vemos que a questão do livro é também a de uma totalidade” semântica, política, social, econômica. Tal unidade discursiva materializada, formalizada é dependente de uma máquina editorial, ou seja, das técnicas de reprodução ou difusão:

(...) a escrita, o modo de inscrição, de produção e de reprodução, a obra e a operação, o suporte, a economia do mercado, ou da estocagem, o direito, a política, etc.


Derrida inspira uma reflexão relativa às máquinas textuais que produzem um efeito maquinal nas práticas políticas. Como, por exemplo, as máquinas de fazer confessar que são, em geral, desde muito, utilizadas pela polícia, inquisidores “de todos os tempos [que] conhecem bem estas máquinas de extorquir confissões”. Intervenção de uma automaticidade sobre o corpo que resulta numa utilização de poder do corpus enunciativo, de modo que o conteúdo de uma afirmação (ou confissão), a constatividade do enunciado, “se enraíza no pressuposto de um performativo ao menos implícito”. Aproxima, então, o performativo de uma corporeidade que gera e condiciona a produção dos enunciados; performatividade do arquivamento ou acontecimento de inscrição como um fato concreto importante que afeta os seres e as coisas, inclusive as suas formações simbólicas. Precisaríamos, dessa forma, falar da matéria ou o corpo.

Como se inscreve esse acontecimento textual? Qual é a operação de sua inscrição? Qual é a máquina de escrever que o produz e o arquiva (...) ? Qual é o corpo e mesmo a materialidade que conferem a essa inscrição, de uma só vez, um suporte e uma resistência?


O aspecto político da(s) materialidade(s) deve ser evidenciado no sentido de que

(...) a escolha dos editores ou das máquinas de edição nem sempre é a melhor, ocorrem recalques, marginaliza-se ou silencia-se. Uma nova libertação do fluxo pode, de uma só vez, deixar passar qualquer coisa e dar alento a possibilidades críticas outrora limitadas ou inibidas pelas velhas máquinas de legitimação - que são, também, à sua maneira, máquinas de edição de texto.

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