sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ensino de Língua Portuguesa

Breve mapeamento das questões de Ensino de Língua Portuguesa no Brasil.


1. Visão tradicional dominante
  • Concepção de linguagem restrita, sendo considerada Língua Portuguesa somente uma performance específica da língua.
  • Há uma hierarquia da escrita com relação à fala
  • Concepção de linguagem fundamentada no “privilégio”.
  • O certo e o errado são ferramentas de exclusão linguística.
Assim,
  • O Ensino de Língua Portuguesa, no Brasil, tradicionalmente baseia-se na Gramática Normativa. 
  • a Gramática tem uma separação rígida entre escrita e fala, restringindo-se à primeira
  •  é utilizada, na prática, como um código de conduta linguística (oral e escrita), através do estabelecimento de uma Norma Padrão
  • trabalha com categorias classificatórias fixas, utilizando exemplos de textos literários
  • enfatiza a “correção”
---> Consequência: Silenciamento de “vozes” não privilegiadas

2. Recentes modificações no ensino

Os PCNs, desde 1998, orientam oficialmente as práticas pedagógicas no Brasil. Eles utilizam conceitos de linguagem derivados dos estudos linguísticos,  valorizam a variação, a análise da língua em uso e o desenvolvimento de competências (leitura e produção críticas). Abandonam a noção de “erro”, adotando a noção de adequação. Discutem a noção de norma, adotando a noção de gramaticalidade, exploram as diferenças e semelhanças entre oral e escrito. Apontam que o ensino da gramática deve ser dado enquanto instrumento de análise linguística.
Ensino com ênfase na textualidade (coesão, coerência, referenciação), interação e contexto, notando as relações de poder pela linguagem; trabalham a linguagem no desenvolvimento da identidade (expressividade e autonomia). Observam os contextos comunicativos / situações de uso, havendo uma noção de letramento para a além da alfabetização – somente a decodificação não é suficiente. Vale mencionar a ompreensão complexa dos “erros” ortográficos e a valorização os conhecimentos linguísticos prévios.


3. A adaptação das Instituições de Ensino


Desde o lançamento dos PCNs, houve alguma transformação no ensino escolar, materiais didáticos adaptaram-se, bem como os professores e as grades curriculares. Vale citar os vestibulares e o ENEM, nos quais o conteúdo gramatical tradicional praticamente não mais aparece. Não se trata, porém, de uma mudança satisfatória, pois há dificuldade quanto à formulação de métodos massivos e os professores necessitam aprofundar seus conhecimentos da linguagem, o que é dificultoso tendo em vista a rotina de trabalho e as péssimas condições salariais.










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