Caimos então num campo que, tradicionalmente tem sido as relações entre tecnologia e política - ou, tecnologia e pessoas; costuma-se pensar a tecnologia de transmissão como alheia à ordem política. Mas, na medida que percebos o funcionamento da TV, podemos compreender que a tecnologia está intensamente atrelada ao seu uso, atuando politicamente e, muitas vezes, aumentando o poder político - no caso das mídias, aumentando o alcance da voz.
Quer dizer que os equipamentos não são entidades neutras, uma emissora não é algo que atua por si mesmo, da mesma forma que a tecnologia de produção de bens não está separada das indústrias e grandes corporações e seus interesses por lucro.
Palavra mágica para entendermos o valor que tem a divisão aparente entre tecnologia e pessoas. É o lucro que movimenta a detenção de toda a tecnologia de transmissão no Brasil para poucos gatos pingados, já que a exclusividade na transmissão centraliza e aumenta o poder do meio. Quanto menos transmissores, mais poder é garantido aos poucos que transmitem. IO que eu falo não é novo, é fato conhecido o poder da Família Marinho, Sarney e Sílvio Santos. Ninguém desconhece que eles detém quase toda a tecnologia de comunicação do país, e o público ficando impotente e distanciado dessa tecnologia, incapaz de se apropriar da mídia e resistir à sua força ilocucionária dominante.