sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

PERCURSO




Rota de penumbra.
Mensagens alternadas em tons de profundo.
Tênues lampejos fora de frequência.
Percorre-se  rota até onde se divide
em apenas três caminhos possíveis.


Primeiro 
“o caminho da direita”

Pode-se ouvir um rangido de pedras muito alto a cada passo. Violinos rasgados e a cor liláz. Um caminho de horizonte pleno e o céu de um dia nublado. Há somente uma fresta aberta de sol, onde passa um raio concentrado que toca a superfície arenosa. Até que uma frase é dita:
- Flutue, porque o peso não vale na hora da morte.
Segue-se o caminho e, aos violinos, acrescenta-se um trombone frenético. Permanece o ruído de pedras que vai se tornando mais encharcado. Alguma ave de rapina passa rasteira enquanto grita e continua vindo. O violino pára. Permanece o trombone e a ave. Atrás, uma voz feminina murmurando:
- O anseio precede a derrota.

Segundo
“Caminho da frente, uma porta”

Caminha-se sobre o concreto, uma antiga estação. Pessoas transitam ao fundo, mas não é possível enxergar os seus rostos. Há pingos de goteira. Caminha-se pelos corredores enquanto, ao fundo, uma música barroca vai, sutilmente, preenchendo o espaço. Há escuridão e apenas algumas lâmpadas amarelas, muito fracas. Ao aproximar-se das paredes vê-se colagens com frases  e imagens. Uma voz materna sorri e fala coisas bonitas. Ouve-se o choro explosivo de um homem, libertando alguma dor profunda. O trem chega.

Terceiro
“O caminho do meio para cima”

É um quarto fechado, sem janela. Todo o chão por onde se caminha é uma luz. Tudo fica bastante claro enquanto se pode ver na parede inúmeros círculos vermelhos aveludados. Há conversas sobrepostas, sendo que algumas frases podem ser ouvidas mais claramente. Há preces.
Aos poucos, as vozes baixam e um mantra preenche o ambiente enquanto os círculos vermelhos variam de cor, que constantemente compõem imagens diversas.

pense nisso...