Aludindo a Nietzsche, o autor cita que a escritura não está originariamente sujeita ao logos e à verdade (p.24). Tal sujeição veio a ser. Derrida questiona se ao romper a irredutibilidade do significado, da verdade da palavra, não estaríamos saindo da esfera da linguagem. É por isso que se começa a trabalhar com a noção de escritura para criticar a metafísica ocidental que limita o sentido do ser no campo da presença.
Comparo a forma como Derrida descreve a desconstrução com o que se faz na prática de Mídia Livre (meu objeto em questão): para reagir à dominação do significado irredutível da Mídia de Massa não basta desligar a TV, mas seguir
operando necessariamente do interior, emprestando da estrutura antiga todos os recursos estratégicos e econômicos da subversão. (p.30)
A escritura não é um objeto, mas condição da episteme; não é a simplicidade irredutível de uma essência. O que se dá é o jogo entre a representação e o seu referente, um jogo de reflexos em que o ponto de origem torna-se inalcançável. A escritura não encontra o signatário nem o referente, ela é o nome dessas duas ausências. É desse modo que a imanência da língua está exposta a forças estranhas ao sistema. Por isso, o foco da pesquisa não deve ser uma escritura fonético-alfabética (onde se produziu a metafísica logocêntrica que determina o sentido do ser como presença). Quer-se partir para uma possibilidade de sistema total, aberto a uma rede com várias dimensões que ligam significantes – aberto a todas as cargas de sentido possíveis. Não há, portanto, signo e símbolo, mas um vir-a-ser-signo do símbolo.
Vale citar, também, que a grafia ou materialização do signo implica uma escritura originária.
Esta agiria não só na forma e na substância da expressão gráfica, mas também nas da exressão não-gráfica. (p.73)
A leitura da Gramatologia requer ainda um longo percurso.