quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Escolha do padrão de Rádio Digital


at cmi-brasil

Desde meados dos anos 2000, governo e empresas de comunicação vêm pensando e discutindo o padrão de Rádio Digital a ser adotado pelo Brasil. Diferentemente do que aconteceu com a TV Digital, a escolha do padrão de Rádio Digital está sendo pouquíssimo discutido, e as poucas discussões que vêem acontecendo são enviezadas no sentido pretendido ou pelas grandes empresas de comunicação ou por uma esquerda nacionalista que luta pela suposta "democratização dos meios de comunicação", que nada mais é doque o outro lado de uma mesma moeda na qual oque vale é a disputa por poder. Enquanto isso o governo já anunciou que a escolha do padrão se dará em breve, e de acordo com porque de acordo com o Ministério das Comunicações, o padrão será definido em fevereiro.
O governo já havia decidido de antemão que não seriam alocadas novas faixas do espectro para o rádio digital (diferentemente de como aconteceu na Inglaterra e em vários lugares na Europa, por exemplo, onde o padrão DAB foi o escolhido), portanto, de acordo com essa pré-definição, existem dois padrões em jogo para a decisão: o HD Radio, norte americano, e o DRM (Digital Radio Mondiale), europeu. O HD Radio é um padrão que foi desenvolvido por uma empresa chamado Ibiquity, é um padrão fechado, e possui taxas associadas a rolyalties e patentes muito superiores ao DRM. O DRM é um padrão que foi desenvolvido por um consórcio de algumas das maiores empresas de comunicação do ramo, aliadas a rádios estatais e universidades européias, sendo que ele é um padrão aberto e possui implementações de referência tanto da modulação quanto da demodulação, além de utilizar menos banda espectral que o HD Radio. O HD Radio funciona nas faixas de Ondas Médias e VHF (FM), e o DRM funciona em todas as faixas de rádio do espectro (OL, OM, OC e VHF). Os radiodifusores defendem o padrão HD Radio, um padrão tecnicamente inferior ao DRM, no entando o lobby norte-americano associado a algumas doações da Ibiquity a grandes empresas de broadcast fez com que as grandes associações brasileiras de broadcast já tenham escolhido um lado para ficar - HD Radio. Os defensores da "democratização da mídia" estão viajando e querendo propor um padrão novo, brasileiro, propostas absurdas vêem circulando, muitas vezes fica claro que esses citados mais querem disputar poder e mostrar que são diferentes dos que controlam a mídia, doque pensar num sistema de radiodifusão realmente interessante no sentido de possibilitar uma tecnologia que permita integrar as pessoas de todas as partes do mundo. Nesse contexto que entra a posição de algumas pessoas de rádios livres: A escolha do governo de não alocar uma nova faixa de frequencia para o Rádio Digital foi boa, na medida em que essas rádios livres jamais teriam espaço num multiplex centralizado (no DAB um transmissor oficial emite várias rádios - autorizadas - em conjunto), e também está claro que o DRM é de longe o padrão no qual rádios livres e rádios de baixa potência em geral terão condições de operar no sistema digital. O panorama atual da escolha do padrão é o seguinte: o Inmetro em conjunto com Anatel estão fazendo medições de recepção do rádio digital, algumas rádios estão testando o HD Radio (Kiss FM, por exemplo), outras rádios estão testando o DRM (Cultura AM, por exemplo), e o nosso ministro Hélio Costa afirma que em fevereiro irá anunciar o padrão de rádio digital brasileiro. Pensando no futuro do rádio e lembrando de seu passado, no qual padrões mundialmente aceitos prevalesceram e possibilitaram que inúmeros movimentos sociais se expressassem e revoluções acontessecem, temos que defender o DRM com unhas e dentes!!!






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