O que pauta a argumentação retórica, tendo em vista o seu fim factual, pode ser descrito pela afirmação aristotélica: o resultado de um bom valor é uma boa ação. Este valor pode ser meramente a virtude, atribuição do indivíduo que pratica ou convida a praticar qualquer coisa: estes são aspectos que mobilizam um tema provocador na retórica aristotélica, qual seja, tudo o que precede a argumentação e nela se consolida.
Aristóteles atentou para a relação íntima entre argumentação e ação, o que seria, de alguma forma, a performatividade do dizer retórico, considerando que a argumentação está localizada numa relação entre partes e se direciona ao estabelecimento de lugares contingenciais. O pensamento aristotélico cultiva, contudo, universalidades que seriam próprias de todo ser humano, como o desejo pelo bom e as virtudes como a honra e a nobreza. Se a argumentação resulta em ação, essas ações estariam fundamentadas em escolhas, de modo que as coincidências ou causalidades podem ser entendidas como atos intencionais sobre os quais se projetam valores e juízos. A retórica tem por objetivo formar um juízo sobre uma ação (passada, presente ou futura) o que depende da forma como o orador argumenta e como dá a entender suas disposições para que se cumpra o juízo. Ou seja, o orador escolhe os aspectos do que deseja apresentar e a forma com que conduz seu discurso, estando, para isso, dotado de intenção; os fatos se apresentam sob diferentes prismas de acordo com a intenção de quem os interpreta e o uso de um fato na argumentação já resulta de um ato interpretativo.