sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

SOBRE O RIZOMA (excertos)

GUILLES DELEUZE E FÉLIX GUATARRI
MIL PLATÔS - VOLUME 1


p.14 "Desta vez, a realidade natural abortou, ou se destruiu em sua extremidade: nem se enxertar nela uma multiplicidade imediata e qualquer de raízes secundárias que deflagram um grande desenvolvimento... com 'raízes múltiplas', somente quebram efetivamente a unidade da palavra, ou mesmo da língua, à medida que põem uma unidade cíclica da frase, do texto ou do saber".

p.15 "O rizoma nele mesmo tem formas muito diversas, desde sua extensão superficial ramificada em todos os sentidos até suas concreções em bulbos e tubérculos... qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro... Um rizoma não cessaria de conectar cadeias semióticas, organizações de poder, ocorrências que remetem às artes, às ciências, às lutas sociais".

p.16 "Uma multiplicidade não tem nem sujeito nem objeto, mas somente determinações, grandezas, dimensões que não podem crescer sem que mude de natureza (as leis de combinação crescem então com a multiplicidade)".

p.17 "As multiplicidades se definem pelo fora: pela linha abstrata, linha de fuga ou desterritorialização segundo a qual elas mudam de natureza ao se conectarem às outras".

p.18 "Um rizoma pode ser rompido, quebrado em um lugar qualquer e também retoma seguindo uma ou outra de suas linhas... Todo rizoma compreende linhas de segmentariedade segundo as quais ele é estratificado, territorializado, organizado, significado, atribuído, etc. Mas compreende também linhas de desterritorialização pelas quais ele foge sem parar... mas a linha de fuga faz parte do rizoma... o bom e o mau são somente o produto de uma seleção ativa e temporária a ser recomeçada".

p.19 "Os esquemas de evolução não se fariam mais somente segundo modelos de descendência arborescente, indo do menos diferenciado ao mais diferenciado, mas segundo um rizoma que opera imediatamente no heterogêneo e salta de uma linha já diferenciada a uma outra".

p.21 "... um rizoma não pode ser justificado por nenhum modelo estrutural ou gerativo".

p.22 "Uma das características mais importantes do rizoma talvez seja a de ter sempre múltiplas entradas".

p.23 "... porque é sempre por rizoma que o desejo se move e produz."

p.32 "Trata-se do modelo que não pára de se erigir e de se entranhar e do processo que não pára de se alongar, de romper-se e de retomar... Ele não tem começo nem fim, mas sempre um meio pelo qual ele cresce e transborda".

p.33 "Contra os sistemas centrados (e mesmo policentrados) de comunicação hierárquica e ligações pre-estabelecidas, o rizoma é um sistema acentrado não hierárquico e não significante, sem general, sem memória organizadora ou autômato central, unicamente definido por uma circulação de estados".


p.34 "Não se tem mais uma tripartição entre um campo de realidade, o mundo, um campo de representação (...) e um campo de subjetividade".

p.37 "Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo".

pense nisso...