Tenho crateras expostas ao sol
vendavais protegendo o que há dentro
e, por fora, o macio contato da luz
Fendas expostas de carne
rasgando-me por um pouco de sonho.
Há também em mim
algo de liso como edifícios
de espessas camadas.
Tenho paredes trancando
para que eu não seja toda essência diluída.
E, se fechar os olhos,
enxergo infinitos brilhos multicores
cercados de escuro.
Recebo, de fora, milhares de cores
compostas em partitura.
janeiro-2005