sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

sobre a leitura da imagem

 Uma questão importante de ser mencionada é justamente o isolamento da imagem ao que é natural e menos abstrato ou, em alguns casos, nada abstrato, ou seja: a imagem também pode ser tratada como algo que produz abstração a partir de sua materialidade - movemo-nos do logos como única possibilidade de racionalização para o imagético, sendo a imagem também um exercício de pensamento. Nota-se que ao discutir a imagem, estamos sempre norteando uma relação entre o que é abstrato (significação) e concreto (materialidade do significante). Pode-se considerar, fazendo ecoar as palavras de Arlindo Machado (1984), que a imagem não deixa de ser uma modalidade de escritura - um discurso. A própria escrita também não poderia se opor à imagem porque é ela mesma iconográfica. É então que pode se desfazer a dualidade linear e não-linear - ou, concreta e abstrata; porque a imagem não mais se anuncia como representação ou apresentadora da realidade "em si", mas materialidade expressiva onde conceitos se articulam e o lugar da "subjetividade" e da "existência" se colocam porque a tentativa de representação de um objeto implica o distanciamento dele (FLUSSER, 2007). Além deste não-lugar subjetivo de onde se produz a imagem, também há o espaço de articulação entre a imagem e seus leitores, bem como a intencionalidade do próprio enunciador que se projeta sobre os fatos sociais - esta é uma dimensão de inter-subjetividade e, por isso, também política e histórica.

A imagem está imersa, como discurso, num mar de outros discursos que possuem diversas materialidades sejam lineares ou não, o que vai modificar até mesmo o que a imagem diz. No audiovisual, por exemplo, a oralidade e outros efeitos sonoros contribuem exaustivamente para a interpretação da imagem - sendo, então que ela não fala por si mesma, mas forma junto com outros elementos um discurso plurimodal.

pense nisso...