Os textos estavam embrulhados sobre o guarda-roupas. Sujos ainda, quase verdes do tempo carcomido. Linha após linha no ar percorriam como flechas precisas. Ele recordava o instante exato de cada ferida. E um susto que logo o persuadia ao desejo. Nos textos guardados habitavam aranhas em teias. Fina iguaria corroída. E ele tinha um rosto quase raro.
A variação entre os tons era imperceptível, entre a penumbra e a cortina fechada, a estante de coisas aglomeradas, objetos vagos, esgotados. Os textos exilados lembravam as fibras percorridas no alvo pela fina precisão do instrumento.