segunda-feira, 3 de maio de 2010

PARA QUE SERVEM OS INTELECTUAIS?

Excelente resenha de José Castello sobre o livro:





Representações do intelectual
Edward W. Said
Trad.: Milton Hatoum
Companhia das Letras
127 págs




 Como ser um "pensador" na era da extrema especialização do conhecimento? É possível ser livre quanto ao uso de termos, expressões, métodos?  Selecionei alguns trechos, veja texto completo aqui.





Num início de século dominado pela mentalidade profissional, os intelectuais, sujeitos preocupados com as grandes questões universais, ainda têm alguma função?


a idéia "profissional" do pensamento, ele diz, apanha os intelectuais numa rede de pressões e apreensões que só os paralisa.
Para livrar-se da armadilha da competência, Said sugere uma opção pelo que ele chama de "amadorismo". Ou seja, propõe que o intelectual passe a escrever pensando não em lucros ou recompensas, títulos ou promoções; mas, sim e apenas, em sintonia com o desejo de abrir novos horizontes. Isso significa, na prática, a recusa de estar preso a uma especialidade. A rejeição dos limites impostos pelas idéias e valores dominantes em qualquer profissão.

A grande pressão que os intelectuais sofrem hoje, Said entende, é a especialização. "Hoje, quanto mais elevado se estiver no sistema educacional, mais se é limitado a uma área de conhecimento relativamente restrita"

Ao contrário da idéia em geral difundida a respeito dos intelectuais, de que sua função é a de administrar e apaziguar dúvidas e conflitos, Said acredita que o intelectual não deve atuar para que o público se sinta bem, mas sim para perturbá-lo. Para isso, deve forçar continuamente a abertura de novas perspectivas de encarar o presente.

Só investindo na instabilidade e na incerteza, ele diz, só agindo como leigos em constante procura da verdade e sempre insatisfeitos com o que encontram, os intelectuais poderão corresponder a seu destino de "inventar novas almas".

Para atingir essa independência, sugere Said, o intelectual deve adotar a postura do exilado - e, para isso, não é necessário que ele viva efetivamente no exílio. Até porque o exilado não vive nem em um lugar, nem em outro, nem no destino, nem na origem, ele está desterrado entre os dois. Esse espaço intermediário, esse "entre", sugere Said, é o lugar por excelência do intelectual. Trata-se de uma "terra de ninguém" que, se o isola e até angustia, pode lhe fornecer a coragem necessária para falar, escrever e agir.

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