segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Um pouco de historia dos meios de comunicacao

No Brasil, o interesse pelos meios de comunicação de massa coincide com o começo do Populismo, período chamado de Estado Novo, no qual o país passa por determinações históricas características de uma transição econômica fundamental. Entre 1930 a 1945 passamos por uma crise de hegemonia, setores que concentravam o poder (oligarquia agrária exportadora) entram em crise, ao passo que os setores urbanos ligados à industrialização ganham importância e o movimento operário cresce, a massa fica mais politizada. Há a necessidade de integração dessas forças e o Estado põe-se tal como um estado de compromisso entre elas. O Nacionalismo entra na história como forma de consagração desse Estado que, adotando táticas populistas, amplia as bases sociais de apoio sem alterar a essência do regime. O Estado, como "árbitro" dos interesses nacionais, ganha um sentido mítico que dependerá da criação do mito da Nação para a formação de objetivos nacionais unificadores. O núcleo institucional desse processo seria o Departamento de Imprensa e Propaganda, sustentado na repressão política e no controle da Informação - ele coroa um processo ascendente de manipulação da comunicação. O DIP controla a imprensa, o rádio e o cinema. O Nacionalismo atua na base do desenvolvimento dos meios de comunicação de massa no Brasil
Procura-se (...) construir canais de comunicação unidirecionais (flexíveis, no entanto, à identificação e absorção de eventuais dissonâncias no seio das organizações populares), de modo a quebrar o impacto das reivindicações, sem contudo ameaçar a hegemonia da elite tecnocrática que se revesa no poder. (p. 15 - Melo, 1981)

A popularização da TV dará seus primeiros passos no governo de Juscelino Kubitschek (doador da concessão à Rede Globo), a partir da industrialização de produtos voltados à nascente sociedade de consumo - a TV passa a ser ela mesma um objeto de consumo privilegiado pela sociedade. Contudo, so haverá importância política do nascente medium depois do Golpe de 64, quando da expansão do mercado de receptores - o novo governo investiu em infra-estrutura técnica para um sistema nacional de transmissão que permitiu à TV Globo transmitir ao vivo para todo o país o Jornal Nacional. A televisão passou a fazer parte das preocupações dos sucessivos governos militares; o objetivo era, a partir de um sistema de persuasão, criar uma mística nacional sob a inspiração do desenvolvimento, desejando formar um espírito nacionalista empreendedor.
Em Anderson (1983) observamos que os meios de comunicação de massa exercem um papel decisivo na criação da Nação, ‘an imagined political community’. O sistema de comunicação seria uma parte íntima e essencial da estrutura nacional que permite o indivíduo ver-se no contexto de uma unidade.

(...) the newspaper reader, observing exact replicas of his own paper being consumed by his subway barbershop, or residential neighbors, is continually reassured that the imagined world is visibly rooted in everyday life (p. 35)

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