quinta-feira, 29 de outubro de 2009

SENTIMENTO DE MUNDO

A descrição de uma imagem exata pouco interessa. Escrava dos sentidos, a mente quer se libertar, ela não quer se enredar na frieza da rotina. A mente procura o absurdo e a doença para sentir-se viva. Um nome, porém, bastaria, nome desejado mas impossível. Essa palavra soaria e abriria a folha, o nome revelaria a coisa e possuiria um tempo eterno, ao ser fixado.
A mente, por sua vez, é extraordinária em si, porque pode estar para além da pura expressão, ela surpreende a palavra, que é sua coisa, seu objeto, peça, grão, unidade, carta de uma jogatina sutil.
Somente a natureza é verdadeira, porque ainda possui mistério e totaliza qualquer possibilidade. A natureza permanece latente e imperativa, mesmo na mais límpida civilização: a ordem submerge da sopa orgânica e química do planeta.
O ser, entre olhares (multiplicações espelhadas), confunde-se com aquilo que o cerca. Locomovendo-se rapidamente entre vias, localiza-se flutuante, de modo que a exterioridade é a projeção mesma dos seus impulsos. Há, portanto, um prolongamento permanente entre a alma do indivíduo e a animosidade do mundo, o que gera uma sensação de permanência, apesar da fluidez constante de informações. Nada mais extrapola o ser, porque ele é maleável ao frequentar ambientes múltiplos e estar constantemente aberto, disposto a concentrar dualidades.

pense nisso...