11 horas. Ou talvez 13. Era calor e tinha dormido muito, parecia duro desvincular-se da abrangência do sonho; as desistências sobrevinham insistentemente. A última memória era sempre impossível de descrever e quando abria os olhos uma enxurrada de mundo e verdades acelerava o peito. Certezas, clareza insuportável e rara de ser dita.
Batiam na porta, alguém curvado e sujo cuja indigência permitia suplicar.
Recém acordado, constrangia-se com os desperdícios que o moviam, mas não podia atirar qualquer migalha às mãos encardidas. Escolheu esconder-se no sono.
Sentimento hedônico transgredindo as emergências e o toque do telefone.
Produzia vapores para esquentar o corpo, fervia a água para o chá. Aquecia o pão. Abriria a porta se não temesse os caminhos já conhecidos. Paralizado, não conseguia agarrar as cores. "À estibordo" sobrevinha uma voz aos ululares do vento. Era uma ordem extrema para desviar da rota.
Sentia-se dentro de uma esfera de cada vez mais luz, holofotes, avenidas e vídeos marcando nitidamente as imperfeições da imagem. O corpo estava exposto.