domingo, 14 de fevereiro de 2010

Meio de Comunicação?

Por que deixar de tratar a TV como meio de comunicação e passar para uma noção de escritura dotada de força ilocucionária? 
Para responder a essa pergunta é preciso partir de uma revisão sobre a natureza deste objeto, muitas vezes tratado como instância para comunicação, na qual a tecnologia dispõe espaço para que se veiculem conteúdos formulados a priori. Assim que o termo "meio de comunicação" pressupõe a separação entre tecnologia e conteúdo: as câmeras, os microfones e transmissores seriam entidades neutras aguardando a mensagem. O que não é mentira, aparentemente; mas se encararmos mais afundo as práticas televisivas que vêm sendo feitas ao longo da história, nos daremos conta de que a tecnologia e o conteúdo não funcionam em dicotomia e que problemas políticos se impõem sobre o uso dessas tecnologias.
A separação entre tecnologia e conteúdo fundamenta práticas hegemônicas de mídia. Hegemônicas porque o primeiro ponto de exclusão acontece no privilégio de uso dessas tecnologias - o exercício de produção e transmissão audiovisual se restringe a grupos que utilizam as técnicas amparados por leis de caráter proibitivo, cabendo a esferas legislativas a regulamentação do espectro de transmissão e permitindo a um grupo seleto a sua utilizacao (as famosas concessões). É assim que, com o passar dos anos, veio se produzindo o lugar dos "comunicadores", únicos especializados em produzir a informação, conteúdo que se prossibilita justamente pelo acesso ativo à tecnologia emissora.
E, do outro lado, é reservado o lugar ao público, maioria da população receptora da mensagem, sobre quem é exercida a força ilocucionária. Pode-se dizer que é a tecnologia que garante essa força, o meio instituído está autorizado à produção de verdades que serão acatadas pelo público; o conteúdo passa a ser produzido em função dessa força política.

pense nisso...