Dissecaram e transformaram-no em algo
com um bisturi abriram o peito do poema
cortaram do coração a aurícula direita.
Colocaram eletrodos e testaram os batimentos
a pulsação das sílabas.
Mas não viram que, dos olhos do poema,
escorria uma lágrima.
Depois numeraram, classificaram-no por setor.
Desiludido, ele guardou-se numa gaveta
e nunca mais saiu,
até que o papel ficasse amarelado
e ninguém mais pudesse ler.
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DIGA