domingo, 25 de julho de 2010

Intitulando Nuvens

É fácil rasurar um rabisco desistente,
porém insisto com uma expectativa simples.

Descobri que não posso voar...
e recrio a imagem orgânica de alguns anos atrás,
a tua imagem.

As grades derretem seus metais que escorrem e enrijecem junto ao meu corpo.
Homens em série, tu diversas mil vezes.


Sabes quando, na música, o último acorde deixa-se quase em silêncio...  e então explodem todos, cordas, peles, metais, num grito que retoma e revela o compasso transformado?!?!

Jamais esqueço as noites em que sobrepus minha falsa frieza à tua fria falsidade.
Havia calor pulsando sob meus olhos...
As tuas nuances eram avassaladoras, a consistência do teu corpo, a tua artificialidade.

Sim, queria que tudo se afogasse em algum poço imêmore.


Sinto a brisa fétida de uma praia suja e sei que posso narrar, descrever, cinegrafar cada mísero instante de ti sob minhas unhas.
Sei que posso calcular quaisquer proporções lógicas do teu poder.

Grave suave ronquidão dos meus pulmões...
a minha fome intelectual insaciada...

Primeiro amor: apenas sei chover depois de ti, construir armações resistentes, castelos que não sejam de areia ou nuvem, guarnecer, criar, recriar e subir em montes cada vez mais altos.

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