segunda-feira, 8 de março de 2010

duas beiras abissais

Ficar de bem com a vida
Fé de metal, propósitos de lã
Sentindo o hálito fresco de creme 
da manhã
e as bordas macias
da tarde
atravessando a janela.

Ficar contando os segundos,
até que a nuvem passe e a verdade retorne
em forma de luz controlada, 
vídrica.

E a pele assustada,
e o batimento calmo.

Ficar parado apreciando
o azulejo bruto
Ser fiel
Entreter-se com qualquer final insólito.

De repente,
olhar-me ao espelho
e reparar no olhar que me atinge
de fora
maculado.

Meu dentro ignorar-se visto
Ser só pulsação
Ter dois lados
indissociávies.
Duas beiras abissais.

Ele, ao descer mudar,
num piscar de olhos,
o mundo.

pense nisso...