quinta-feira, 4 de março de 2010

Lamento do Desempregado

Há um rumo principal a ser cumprido? Há uma linha ascendente em meu destino? O mundo me necessita? 
Particularmente, desconheço-me uma função eficaz, não sei qual é a minha tarefa.
A mulher serve para o amor. Eu sirvo para o medo.
A cultura de um sujeito deve estar adequada? Somente assim teria utilidade. Da utilidade à subsistência, sendo a dignidade um detalhe.
Não há qualquer chefe que me use. Não compreendo o trabalho, não sei fazer contatos: sou flutuante.
Encontro a imagem deles mas não os reconheço. Temo as cobras e as cabeças vazias. Temo a exatidão e o conceito. Sou flutuante.
As informações extrapolam e o meu texto nada vale. Escrevo com o mesmo descaso em que vivo. Estou incapacitada pelo excesso de itens e pela falta de sonhos. Não sou prática.
Sou fluida. As horas passam e não há reconhecimento; sou uma barata cuja feminilidade já se aprisiona. Uma anarquista cansada, uma brasileira sem renda.

O rumo de cada um depende da sua força?
Ou do teatro insensível de interesses?
Para qual revolta trabalho? Piratas, Ladrões? Massas de anônimos?
Quem são meus comparsas? Qual é o meu negócio?

Ganho grana tendo sorte, habilidade ou beleza?
E por que alguém deveria ser agradado?

pense nisso...